·Porque o metabolismo deles, com raras exceções, funcionam de verdade.
·Porque eles têm mais hormônios em efervescência, logo, as sensações deles são bem mais intensas.
·Eles não conhecem muito do mundo, e por isso, tudo é novidade. Depois dos vinte, tudo vira a cópia da cópia da cópia.
·Porque eles têm a isenção de estarem passando por uma “fase difícil”. – Só não sei muito o significado da palavra dificuldade. Seria por acaso ver TV demais, usar internet demais, não fazer nada e ser um egoísta desalmado sugador dos pais?
·Porque eles são irritantemente bonitos e nem sabem aproveitar isso. – Babacas!
·Porque eles ainda podem ser irresponsáveis sem serem taxados de vagabundos.
·Porque eles são arrogantes, petulantes e se acham os donos da razão. – Acho que os adultos e os jovens também se acham. Os velhos têm certeza, e por isso são mais ranzinzas e invejosos. Também pudera, não têm mais seus próprios corpos a seu favor, seja na condição fisiológica, ou na condição estética. Eu também estaria bem puta com a vida, entediada e turrona, tentando me apegar ao fato de ter mais anos de experiência, para me sentir superior.
·Porque eles tentam chocar o mundo com coisa idiotas, banais e previsíveis. Que só conseguem impressionar crianças abaixo de 10 anos, e o próprio círculo social deles. Em ambos casos, pessoas que ainda não têm o mínimo de conhecimento sobre o mundo a sua volta.
·Eles ainda podem sonhar que vão dar certo na vida. – Não que darão de fato, em sua grande maioria, mas eles ainda podem sonhar ingenuamente com isso, e vestirem suas camisetas de idéias batidas, que o mundo inteiro já viu que não dá certo.
Poucas vezes vi casais escolhendo nomes de crianças, normalmente só descubro o que fizeram depois que “o crime” foi cometido. Mas quando tenho oportunidade de opinar, me meto mesmo. Afinal, eu sei o peso de ter um nome daqueles que as pessoas falam “nossa, diferente né?”, para não dizerem “poxa, como seus pais tiveram coragem de fazer isso com vc?”.
Pais, por favor, tenham senso nas suas escolhas. Pois elas vão refletir nos vossos filhos para sempre. E por mais que soe como piada, se todo mundo pensasse bem nos próprios traumas escolares, optariam por facilitar a vida dos filhos nesta mesma época, e por que não dizer o resto da vida.
Tomem por base os seguintes lembretes:
I - Ninguém se sente especial por ter um nome raro, exclusivo e inédito. Principalmente se a inspiração para esse nome veio durante o banho da mãe, enquanto ela olhava o rótulo do shampoo. Não! Ninguém, mas ninguém mesmo, quer se chamar L’orealdo. E você me diria: “_Mas ele não teria homônimos!” E eu te responderia, mesmo que ele nunca seja confundido pela receita federal, mesmo que nunca responda um processo por engano, isso nunca, nunca mesmo, irá apagar nele o trauma de ter sido o L’orealdo da chamada por todos os anos do colégio.
II- Ninguém se sente lisonjeado por ter o nome do tetra-avô que participou da guerra do paraguaio. Não! Afinal, os padrões de beleza e de aceitável, mudaram muito de lá para cá, e por mais que se ache linda a história do fulano, batizar filhos com nome de Astolpho, Frutuoso e Emengarda é uma puta sacanagem.
III - Ninguém gosta de um nome composto antagônico. O nome Camila não foi feito para ser misturado ao nome Eduarda, assim como Pedro não foi feito para se juntar com Vicente em um registro civil. Não! Não importa o quão se goste de dois nomes nada a ver, não os misture, apenas escolha um.Pessoalmente, acho nomes compostos demasiadamente arriscados. Mas se insistem, tomem por base uma noção simples, que os nomes compostos tenham até cinco letras cada, assim, não ficarão sobrecarregados.Não que seja infalível, afinal Rui Pedro ficaria uma composição um tanto quanto esquisita, mas ainda assim, é mais fácil se der preferência nomes pequenos. Como por exemplo: Paulo, Pedro, João, Maria, Ana e José.Por via das dúvidas, deixe a criança com um nome só, ela preferirá ser a que tem nome repetido na sala de aula, do que a que chama Bruna Cristina.
IV- Ninguém gosta que o nome seja a mistura do nome pai e da mãe, porque sempre vai dar uma mistura estranha. Tenho um amigo que o pai chama Edson e a mãe Janete. E por isso, ele virou Jadson. Imaginem então se ele casasse com uma moça chamada Larissa, e resolvesse também, usar o método dos pais, teriam uma filha chamada Jarissa. Não! Não é legal ter um nome “especial”, assim como vocês acham. Em caso de dúvida, volte e leia o inciso I, deste texto, funciona igualmente.
V- Ninguém gosta de ser o azarão da família. Pois existem pais por ai que escolhem um nome super esquisito para um filho, e depois, todos os outros tem nomes normais, super bonitinhos. Não! Não é legal se chamar Wisner, enquanto seu irmão se chama Pablo ou André. Não é legal se chamar Ednara, se a sua irmã chama Beatriz. Não é justo, por isso escolha muito bem o nome dos seus filhos, mas se já fodeu com um, foda com todos, pois, não é legal que um pareça predileto desde a escolha do nome. Né?
Então, simples assim. Obedeça esses incisos e seus filhos serão bem mais felizes. Por que mesmo que se diga que um nome vexatório pode ser mudado aos 18, existem 18 anos de traumas que o antecedem. Há uma formação de personalidade, e de identidade.
Eu não gosto do meu nome, porém hoje, mesmo que eu possa mudá-lo não o faria, pois ele faz parte da minha identidade, de tudo que sou. Talvez, já tenha passado por um processo de aceitação, e não me imagino com um nome que não ele. Mas nem de longe isso não faz desaparecer da minha memória o quão diferente ele sempre foi entre todos que eu convivi, e eu que já tinha dificuldade de ser parte, ter um nome esquisito não ajudou muito.
Estive observando, que ando metendo o pau no mundinho “under” aqui no blog. O problema é que faço o mesmo com o universo “micareta-sertanejo-universitário” quando estou longe dos meus “miguxos pseudo-indie-metal”. È um sentimento bem ambivalente, de defender e criticar as mesmas coisas, em situações diferentes. No entanto, ao contrário do que fazem as amigas falsas, a minha critica é sempre junto do criticado. Ou seja, é mais um sentimento de defesa. Quando estou em ambientes over micareta, como no caso do salão de beleza, defendo apaixonadamente os cabeludos ensebados. Afinal, eu sou um pouco eles também, sou a esquisita desencaixada do mundo das loiras malhadas. Mas nem por isso deixo de achá-los no dia seguinte, apenas cabeludos ensebados que vendem uma imagem falsa, cheios de preconceitos e tão modernos quanto a máquina de moer pimenta que tinha na fazenda do meu avô. Claro, isso serve para as bissexuais, indies, morenas, ávidas e lascivas que tanto povoam os ambientes do nosso estranho mundo de Jack. Assim, como eu me auto-afirmo falando que não gosto de rock’n roll quando estão falando sobre Liverpool. E você diria: “Você é do contra ou gosta de aparecer, chocar”. Mas não, não é pra chocar, afinal acabo sempre passando por a grande burra. E, obviamente não atingiria meu objetivo se o intento fosse causar o efeito de “Reflitam, ok?”... Muito pelo contrário, falando coisas assim meio nonsense acabo sempre julgada e apedrejada. Então, porque faço? Simples, por que tenho que defender um pedaço de mim. Um pedaço de mim assiste novelas, não lê filósofos, não saca de nada “cool”. Um pedaço de mim não entende da novela, não faz academia e não foi na última festa rave/chiclete com banana da cidade. E essas partes, ainda que conflitantes, têm que serem defendidas quando não tiver ninguém para fazer. Desta forma, tenho que falar que acho um nerd super sexy quando todo mundo falar que gostoso é o bombadão de carro com som. Assim como tenho que falar “Sei lá, prefiro Sidney Magal” quando o assunto for a Björk. São as minhas verdades que não consigo sufocar para ser complacente. Enfim, eu apenas critico o que vejo de estranho para mim, e defendo o que me é verdadeiro. Mas não que eu seja a dona da razão, é que eu apenas pertenço a um pouco de cada. E por isso, na maioria do tempo sou uma estranha em todos os terrenos. Então falar mal do ambiente em que se está, é só uma forma de se ‘garantir’ em terras alheias. Dizer: “Do meu jeito é melhor”. Não que eu acredito que realmente seja, mas como sempre estou no tal "terreno alheio", esta foi a forma quase primitiva que meu cérebro inventou para demarcar seu território. Garantir que não vai perder sua visão de mundo. E nisso, minhas reações se tornam quase tão xenofóbicas, quanto as reações de um judeu ortodoxo. Ou seja, estou no país dos outros mas os odeio. Por que mesmo sendo os donos da casa, eles não passam de estrangeiros no meu mundo, que eu tento a todo custo conservar.
"Se houvesse outros modos de conseguir organizar-me, ou se pelo menos soubesse que meu funcionamento dispersivo era devido a uma condição orgânica e não a uma tendência à preguiça, como eu acreditava antes, talvez tudo pudesse ter sido diferente. Não sei. Mas isso não ajuda em nada agora. O que interessa é me levantar dos escombros. Tentar reconstruir minha vida... e, sabe, com esses escombros construirei a base. Eles estarão sempre lá para me lembrar de tudo o que perdi e de tudo o que aprendi também."(Mentes Inquietas)
Lembro-me da primeira vez que o déficit me foi salientado. “Neide acho que você tem um ligeiro desvio de atenção.” Foi o meu então chefe que me alertou para isso. “Uma amiga minha tem, ela procurou um neurologista, está se tratando. Tendo bons resultados.”
De repente, eu comecei a pesquisar mais a respeito do caso na internet, e no final do dia, já estava lendo Ana Beatriz B. Silva.
Nossa, mergulhei no livro dela, como raramente mergulhei em outro. Sim, eu vi minha infância correndo pelas letras. E no final do dia, eu só conseguia chorar. Era mistura de ansiedade e uma resolução explícita pra minha “preguiça crônica”. Uma revolução! Era um pouco de fé, e esperança de não ter que conviver com aquela dificuldade tamanha de manter qualquer linha de organização para o resto da vida.
Uma explicação pro “Mas você é tão inteligente, devia - estudar, ler, se concentrar – mais” que escutei a vida inteira.
Agora fazia todo um sentido. Minha ausência de auto-estima, minha luta angustiante pra conseguir fazer coisas simples. Minha constante sensação de fracassar, de ter feito menos do que eu podia. Eu não era vagabunda, ou indisciplinada, preguiçosa ou irresponsável. Eu era DDA!
Eu sempre tentei estudar mais, ser mais, fazer mais... Mas chegava a um ponto que tudo se embaraçava num grande novelo puxado por um gato.
Eu li quatro livros inteiros na vida. Apesar de adorá-los.
Eu aproveitei apenas 10% da minha faculdade por não conseguir me manter na sala de aula, (e olha que não saia pra ir pro barzinho, muitas vezes me sentava na escada, só não ficava sentada na carteira ouvindo o professor.)
Eu sempre fui impulsiva em tudo. Ansiosa e angustiada.
Eu planejava estudar, mas perdia horas com a mão sobre o rosto, olhando pro livro de matemática e pensando em qualquer bobagem simples, menos em matemática.
Eu sempre pensei muito, mas os pensamentos fugiam com a mesma velocidade em que meus pés batiam contra o chão, em gestos quase involuntários.
Eu realmente estava perdida diante do que me cobravam, por pensar que a culpa era só minha... O que mais me destruía era a cobrança de pessoas que achavam que tudo não passava de corpo mole.
A pressão que eu impunha sobre mim, me incomodava. Mais que isso, me esmigalhava. Eu era um lixo, por não conseguir o que todos conseguiam. Por que afinal, se todos faziam, e eu não, eu era mais burra, mais sem controle. Eu era irresponsável, eu era dispersiva. Eu nunca terminava o que começava. E a culpa era só minha...
Ler a Ana me mostrou que não, era fisiológico.
Mas claro, nem tudo é apenas fisiológico. Grande parte depende de mim. Logo, não é porque tenho uma forma de concentração diferente dos demais, que ficarei falando “sou DDA não faço isso!” ou “a culpa é o DDA”... Mas, pelo contrario, tendo consciência de quem eu sou, uma vez que não é uma doença, mas sim é a parte determinante da minha personalidade, eu posso exercitar-me pra manter mais próxima da “sanidade” que eu almejo. Eu não carregarei a cruz do fracasso, mas buscarei ajuda pra continuar exercendo quem eu quero ser, quem eu gosto de ser. Sabendo do problema, posso combatê-lo. E saber, que há muitas pessoas como eu, e que não é falha do meu caráter já ajuda muito.
Hoje eu sei que há diferença entre uma desatenção simples e um déficit, ou de um ato isolado e uma patologia. Pois, todos nós temos características comuns a doenças psiquiátricas, mas tristeza não é depressão, mau humor não é bipolaridade. O que torna algo patológico é a firmeza com que esses fatos determinam sua vida. De que formam interferem na sua relação com a sociedade. E eu sei, que a minha desatenção moldou grande parte de tudo que eu sou hoje. E não é um detalhe apenas, e por isso, hoje saber que não depende apenas de mim – entenda-se condição pela qual eu posso trabalhar, mas que se eu não “tratar” fica incontrolável, e longe do meu "poder" de "dominá-lo" - já é como respirar fundo. Tirar um peso das costas.
* DDA – Déficit de Atenção ou ainda TDA (Transtorno de Deficit de Atenção).
PS: Depois deste post uma amiga me enviou essa entrevista da Ana Beatriz Barbosa . Bem interessante!
Mil perguntas caladas... Mil perguntas tentando decifrar o que é torpor, o que é alívio e o que é saudade. Releituras contínuas... Tentando, imaginando, decodificando cada pedaço não dito. Cada gesto como uma visão infinita, uma epopéia a ser descoberta.
No mais, sufocação, ânsia, desejo e distúrbio... Arritmia transmissível e óculos embaçados.
Lembro-me nitidamente do meu primeiro amor, porém, não lembro ao certo o ano. Se não me engano, foi em 1993. Na época, eu tinha apenas seis anos e me apaixonei perdidamente. Tudo começou quando alguém apareceu com uma k-7 do Leandro & Leonardo lá em casa. Eles eram a “sensação do verão” aquele ano. De cara me encantei pelo moço de olho verde na capa. Quando o dono da fita se distraiu, mais que depressa eu furtei a capinha, e colei aquela foto clichê dele de terno cinza na minha parede de madeira. Mas nosso relacionamento não durou muito. No final do ano, eu o vi beijando a Adriana Esteves no especial de dezembro. E daquele dia em diante, para o bem do meu bom gosto, eu nunca mais quis nada com ele.
Luiz Carunchinho
Foi na terceira série, mas não me lembro muito bem dele. Só sei que deram a mim e a ele o cargo de namorados. Não me recordo ao certo o motivo, acho que porque viram eu e ele comendo cola durante o trabalho de estudos sociais. Desse dia em diante, Victor, meu primo que estudava comigo, encabeçou o coro de: “Tá namorando o Luiz Carunchinho!”
Taí, até hoje não sei por que o chamam de Carunchinho, mas lembro bem dele ser um menino mirrado que sentava ao fundo da sala, e sempre ficava em silêncio. Nunca conversamos direito, mas após os boatos de namoro, não passávamos nem perto um do outro. Para meu alívio, ele se mudou de colégio no final do ano. E assim foi o rompimento do meu segundo “namoro”.
Andrézinho
André era um menino loirinho e bonito. Era primo de terceiro grau da minha melhor amiga que por morar na rua debaixo, sempre aparecia para brincarmos na árvore. Tínhamos uma turminha boa no bairro, onde eu e Aline éramos as mais velhas, enquanto Alisson e Mariana eram os cafés com leite, que fazíamos correr o dia inteiro atrás da gente implorando pra brincar conosco. Pois bem, nessa época eu já fazia a quinta série, e começava a me interessar em brincadeiras mais “adultas”.
Certa vez, resolvemos brincar de “pêra-uva” e nessa roda, eu dei um selinho no tal André. Nossa, fiquei flutuando a noite inteira, com um sorriso de canto. E por incrível que pareça ele saiu falando que eu era sua namorada. Bem que eu queria ser, mas o constrangimento era maior. E por isso, resolvi as coisas como homem, ou em outras palavras como a moleca que eu era. Chamei ele para a briga e o enchi ele de porrada, apanhei também, mas no fim, foi o desfecho bombástico para o meu terceiro namoro.
Jean
Na época eu tinha doze anos e nossa maior diversão, minha e da minha turma de colégio era ir para o shopping sábado à tarde, dividir uma keep cooler e achar que estava doidão. Sempre íamos de ônibus e voltávamos no fusca azul da mãe da Juliana. Uma loucura.
Pois bem, me lembro exatamente da data, 18 de abril. Era um sábado quente e como sempre, fomos ao Shopping gastar os cinco reais que nossas mães havia nos dado. Eram R$ 3 de fliperama e R$ 2 de sorvete, e o dinheiro acabava. Por isso quem sempre bancava as keep era o Rodrigo. Ele sempre comprava duas, uma de maracujá e uma de morango, e nós dividíamos entre as habituais seis pessoas. Nesse dia, acho que o Jean gastou os cinco reais dele tentando tirar bonequinhos naquela maquinas de ursinhos. Mas funcionou, ganhei três ursinhos de pelúcia. Até que alguns minutos depois, minha amiga Aline chegou e disse: “O Jean quer beijar você. Tá todo mundo indo lá pra trás pra beijar.”
Lá fui eu, em um espetáculo de horrores, onde sadicamente meus amigos assistiriam o grande momento. Tomei coragem e fui para cima... Contei “1, 2,3...” e lasquei-lhe o beijo. Não teve língua, nem nada. Mas fui para casa me achando mais madura. Ele continuou me enchendo de presentinhos, chocolates e bugigangas. E era muito bonitinho da parte dele, mas nunca mais nos beijamos, nem nunca gostei dele de verdade. No fundo, eu era mais interessada em brincar de polícia e ladrão do que de ficar com meninos. Mas mantivemos nosso pseudo-namoro até que ele se mudou para outra cidade. Nem sofri ou senti muito a sua falta, pior mesmo foi passar os dois anos seguintes escutando piadinhas do tipo “A menina do 1,2,3...”
Este foi o último “namorado” que tive nessa fase. Após isto, entrei em um hiato de gordura e auto piedade, de onde só saí no final dos meus quinze anos. Sim, o inicio da minha adolescência foi esmagadora para minha auto-estima, mas, aparentemente, pareço ter superado este trauma.
A primeira vez que assisti o filme “A Praia”, no ano 2000, eu ainda não tinha internet em casa. Logo não tinha muita noção de crítica de filme, ou a possibilidade de pesquisa que eu tenho hoje em dia.
Nessa época, eu devia ter uns 14 anos, e o filme realmente me encantou. Muito. A ponto de me fazer locá-lo várias vezes.
Pois bem, o tempo passou, e eu acabei lendo a respeito dele. Todas as críticas muito ruins, que lamentavam a direção de Boyle, em um filme muito aquém do esperado para a sua “genialidade”.
Nesse meio de tempo, eu me esqueci do filme. Do DiCaprio. Da trama... Na verdade, eu até cheguei a achar que tinha me impressionado, porque eu era apenas uma adolescente.
Porém, essa semana zanzando por um site de downloads me deparei com ele, e resolvi baixá-lo. Nossa, que filme! Tive a mesma sensação de quando mais nova. Me apaixonei! Muita idéia boa permeia o filme. Muita coisa nova, que me passava despercebida há oito anos atrás. As muitas coisas que aprendi nesses anos, me fez compreender certos detalhes milimétricos, que eu não via antes. Sim, vi que eu tinha bom gosto desde sempre (Claro! rs), mas principalmente que ao contrário do que eu pensava, esse filme fala mais comigo hoje em dia, do que antes. É uma película madura, que se arrisca nas puras verdades do autor, ainda que não retas ou coerentes. E acima de tudo, não traz um moralismo hipócrita, ou um final adocicado e confortável. Pelo menos não completamente.
Mesmo que “Trainspotting” ou ainda “Quem quer ser um milionário?” sejam consideradas as duas maiores obras do diretor, o filme que se passa na Tailândia ainda é o meu favorito. Enfim, os críticos que me perdoem, mas mesmo eu adorando o Jamal, a Latika e o Salim, eu ainda prefiro o Richard, a François e o Ethiene.
Hoje em dia eu vejo por ai no mundinho “underground” toda uma rejeição feminista por ser feminina.
_Chorar é coisa de mulherzinha!
_Usar batom é ser mulherzinha!
_Falar sobre cabelo, maquiagem, unhas é coisa de mulherzinha!
“Elas” simplesmente se catalogam com seus óculos wayfarer e suas camisas xadrez, e falam mal dos homens. Discutem sobre política, música, filmes cults e filosofia. Mas nunca, nunca mesmo, falam sobre a novela (Tv aberta é para os fracos)... O que me irrita, é que tudo não passa de um personagem, que elas acreditam que são.Ou que fingem que são...
Acho realmente que o machismo é uma doença! E que está tão espalhado na nossa sociedade, que grande parte dos “machistas” são mulheres. Eu também tenho uma veia machista, proveniente da minha criação. Confesso que muitas vezes é difícil estancá-la. Porém eu tento sempre. Mas nem por isso eu concordo com essa negação absoluta de tudo que representa nuances de futilidades femininas. Mulher tem um design mais curvilíneo. Tem TPM uma vez por mês. Gosta de comédia romântica. Fala sem parar. Contra isso não podemos lutar, é da nossa essência.
É biológico. Querer estar bonita, com a pele hidratada e o cabelo aceitável. Somos nós que atraímos o macho (sentido gênero). Por isso, formas de embelezamento feminino é presente em todas as culturas. Temos que representar uma fêmea saudável, apta para reprodução. Logo, faz parte da vida feminina pensar coisas que faça com que ela se torne mais atraente ao macho, afim de que haja a reprodução.
Mas uma coisa não exclui a outra. Não é por que eu vejo novela, que não posso ver um documentário. Não é porque leio sobre dicas de maquiagem, que não posso ler sobre a política coreana. Sinceramente, eu até queria ser bem mais “mulherzinha” do que eu sou. Queria andar mais de salto, andar mais maquiada... Mas ás vezes, simplesmente é desconfortável. Ou me faria perder um tempo precioso de ócio frente ao PC.
No fundo, penso que esses rompantes de modernidade das pessoas “cool” é tão preconceituoso quanto aquele pai machista que bate no filho e diz: “larga de ser mulherzinha, menino!”.
Hoje, e somente hoje, eu me dei conta o quanto eu sufoco as pessoas... Mas o pior é que assim que eu percebo que elas estão sufocando, talvez, até mesmo antes delas, ao invés de soltá-las, eu passo a prendê-las mais e mais. Só que ao inverso do que a Felícia faz, eu não as mato. Eu que morro.
(retirado do meu antigo blog - ano 2005 - e atualizado com alguns aprendizados extras)
*Matar todas as aulas e nunca levar falta (Requer algumas semanas de prática, até verificar em que horário os professores fazem chamadas, cada um tem o seu método infalível pra ferrar com os alunos, mas depois de algum tempo eles acabam caindo numa rotina de chamada... Em faculdades que você usa cartão pra entrar é mais fácil ainda de cabular);
* Fazer xérox reduzida dos conteúdos e colocar dentro dos códigos pra utilizar como fonte de pesquisa ilícita durante as provas (essa em especial o curso de Direito);
* Que sempre tem um boteco meia boca com mesa de sinuca perto do campus universitário;
* Que você encontrará a metade da sua sala lá (naquele boteco meia boca do tópico anterior) numa quinta feira a noite durante o horário de aula;
* Que sua sala se esvaziará notavelmente na sexta feira a noite depois do intervalo;
* Que você tem que usar terninhos em apresentações de trabalho! (Tais, normalmente você não sabe nada, e enrola pra caralho, baseado naquela meia folha que você estudou uns 20 minutos antes, quando o organizador do grupo – o cara que teve todo o trabalho e colocou seu nome – te passou o seu tema);
* Que coca-cola, significa Vodka + Coca-cola;
* Que colocar o Google com sua página inicial é sempre muito útil;
* Que se não achar o trabalho no Google, você vai ter que assinar o zé moleza ou similares;
* Que seus professores também acessam a internet pra averiguar se seu trabalho foi colado de algum site, por isso faça você mesmo uma introdução, afinal eles nunca vão além disso na correção (Ah, se possível mude a fonte também);
* Que tirar xérox de livros é um crime não penalizado no Brasil (se bem que essa todo mundo sabe!);
* Que as tais Normas da ABNT são fundamentais pra qualquer coisa... A primeira vista você as odiará, mas depois de algum tempo estará tão inserido em você, que estará escrevendo até cartas de amor segundo as normas. É o mesmo efeito que as músicas da Kelly Key, você odeia, mas aprende...
* Que a biblioteca tem inúmeras utilidades além de pesquisar livros e estudar;
* Que se você ficar amiga da bibliotecária e dos funcionários, você pode pegar livro sem carteirinha (Isso também funciona na cantina pra comer fiado. No boteco não, os donos nunca vendem fiado pra pinguços);
* Que o pessoal de Direito e Administração são os que mais fazem pose. Pose de que é rico, de que estuda, de que é inteligente...
* Que as turmas de História, Geografia, Ciências Sociais e outros esquerdistas eventuais são os que mais fazem tipo de filósofos, e se tornam insuportavelmente chatos depois de alguns goles de vinho barato;
* Que as turmas de biológicas são os maiores responsáveis pela atividade sexual da faculdade... Compreensível já que são eles que lidam com os hormônios. Além de serem os micareteiros de plantão;
* Que você nunca consegue estudar no final de semana;
* Que você nunca consegue estudar durante a semana;
* Que você sempre promete estudar mais no próximo semestre;
* Que no começo de cada período você acha que está amando o curso, até ter que fazer aquela prova cabulosa, onde sempre brota a rotineira questão: “O que eu estou fazendo aqui?”...
* Que só estuda realmente quando se tem que fazer a maldita monografia ou para OAB (especial para alunos de direito);
* Que até o mais durão chora na colação de grau (ou ao menos se emociona);
* Que passa mais rápido do que você imagina.
Enfim você leva lições valiosas pro resto da vida... Desde o que é amizade verdadeira, até que não se deve misturar vinho, cerveja e vodka...
(Texto feito segundo as normas da ABNT, apesar do linguajar não ser lá mto ético assim!)
Os sábados eram leves, mesmo que misturados a turbilhões de espasmos musculares. Eram calmos, ainda que embaralhados à ânsia da espera ao lado da porta. Ela não o esperava com angustia de quem espera um amor, mas sim, com a pressa infantil de quem aguarda seu cúmplice favorito para traquinagens. Assim nunca iria poder cobrá-lo. Ele sempre a visitava aos sábados, quando os tantos motivos encarceradores pareciam adormecer, para que ele pudesse finalmente acordar e fugir para seus braços. Sim, eles não passavam de exilados de uma realidade tacanha. Fugitivos, buscando abrigo em um mundo paralelo de faz-de-conta. Talvez nem tivessem consciência do mal que pudessem fazer aos demais. Não interessava! Eram inocentemente egoístas. Eles se importavam apenas em criar um universo à parte, onde um pertencia ao outro. E acima de tudo, tinham a liberdade de pertencerem a si próprios. Compartilhavam-se enquanto caminhavam por outras órbitas. E por fim, quando ele partia, ela sabia que o beijo dado na porta poderia ser o último. Mas pouco ligava! Não aguardava um retorno. Apenas se satisfazia com aquela sensação de paz que ele deixava. Quase poder. Simplesmente endorfina.
Aconteceu naturalmente. E eu não sei por que. Acho que é a tendência natural do mundo você se juntar com os semelhantes. Mesmo que entre os “semelhantes” existam muitas diferenças, ainda que invisíveis ao senso comum. Os elos são feitos por afinidades, e assim, micareteiras-sexys se relacionam com outras da mesma “espécie”. Acho que me dei conta disso apenas no segundo grau. Até então éramos todos crianças que tinham crescidos juntos, as afinidades, as experiências pessoais ainda não tinham aflorado a ponto de criar uma disparidade notória. Meus amigos eram os amigos de escola, que eu conhecia desde sempre. Que tinham iniciados juntos da segunda série... Acho que fui perceber um “outro” mundo (e nesse mundo existe segregação) quando troquei de escola. Foi no ensino médio. No primeiro ano, estudei em um colégio onde todos eram micareteiras-sexys ou micareteiros-playboys e adivinhem?! Fui um peixe fora d’água o ano inteiro. Lá ninguém mais brincava de boneca, lá ninguém mais corria de pique no meio da rua. Lá as pessoas beijavam na boca, e faziam coisas que, na época, me horrorizavam. Nesse período, mesmo eu sendo uma pessoa naturalmente extrovertida, me trancafiei em um universo recluso, por não encontrar pessoas parecidas comigo - Talvez, “eles” me trancafiaram. Quando mudei novamente de escola, no terceiro ano, encontrei muita gente análoga a mim. Que tinham gostos semelhantes. Papos semelhantes. Havia um “quê” a mais nessas pessoas. Um elo. E aos dezesseis anos, eu fiquei completamente feliz por finalmente achar a “minha turma”. E acreditar que teríamos tudo em comum. Porém, aos poucos eu passei a perceber que mesmo entre os meus iguais, eu era diferente. Éramos todos diferentes uns dos outros. No entanto, mesmo com essa ligeira consciência gastei muito tempo e energia tentando unir as pessoas em um “só espírito”. Tentando fazer todo mundo ser melhor amigo de todo mundo. Tentando ser mais “igual”. Fiquei muitas horas entediada com coisas “nada-a-vê-comigo” até descobrir que não precisava disso. Cada pessoa é legal para um objetivo... E principalmente que eu não preciso ser blasé, nem jogar fumaça nos outros para parecer interessante/inteligente para os meus amigos. Nem preciso fuçar a internet atrás de bandas para ter assunto com eles... Parece óbvio, talvez até um texto da revista Capricho. Mas no fundo ninguém é completamente livre de tentar impressionar. Por mais que se diga. Então, o que para você, caro leitor parece ordinário, para mim, foi uma longa estrada de aceitação. Hoje sou segura pra dizer que não entendo bulhufas de partituras. E consigo tolerar os risos quando saliento:
_ “Não vejo diferenças entre guitarra e baixo!”.
Não tenho uma memória auditiva. Não, não sou do rock’n roll!!! E daí? Hoje cada assunto é apenas 10 minutos da pauta. A vida é maior... Maior é o senso de respeito (por mais piegas que soe). O mundo não é uma banda em uma propaganda de refrigerantes. Assumo. Cansei de “cool” ou tentar parecer ser... E pasmem... Meus amigos ainda me visitam mesmo assim! Ainda escutam minha conversa mole no meio da noite. Ainda olham para mim com carinho... Eu passei muito tempo tentando impressioná-los, e descobri que sempre gostaram do que eu podia oferecer de afeto, do que eu podia ouvir, do que eu podia guardar (quase nada!!!), do que eu podia debater... E não do que eu tentava (ou talvez nem tentasse tanto assim) parecer. Gosto muito do que eles me ensinam, e principalmente, gosto deles porque é ao lado deles, que euposso usar o mínimo de máscaras possível.
Essa semana, enquanto ria e conversava com um Divertido meu, me dei conta de que temos muitas escalas de gostar de alguém. Escalas de sentimentos amorosos carnais mesmo.
Como amigos são amores maiores, mais tolerantes, mais complexos, quase “Bíblicos”, não me atrevo a criar escalas. Ou ao menos discutir. Pela complexidade, e inesgotabilidade do assunto.
Mas amores carnais são tão simples, pequenos, imaturos. São sufocantes, que transforma o mundo em medo e delírio. E só. E passa. E vai. Mas quando estão, parece não existir mais nada além deles. A amizade espera, a paixão engasga. Acelera a alma, tão tolamente.
Do meu pequeno conhecimento da vida, das coisas do amor, das coisas dos humanos, eu dividiria o gostar [sexual] em quatro graus. Crescentes.
1º – Gostar “Gostar”: Simplesmente se afeiçoar. Apreciar a companhia. Rir de coisas comuns. Falar bobeiras à tarde. Se divertir juntos. Quase uma amizade [apesar de não profunda] com sexo.
2º – Gostar “Sentimentos Felizes”: Resumo sentimentos felizes em... Estar à tarde, em meio aos estudos/trabalho, e ao lembrar de algo que ele (ela) disse, ficar impossível conter o sorriso, que se alastra de orelha a orelha. Simples assim. Neste caso a pessoa não estará presente apenas quando estiver presente. :)
3º – Gostar “Apaixonado”: Quando o mundo se resumir nele/nela. Senti esmagado por dentro. Fazer besteiras sem pensar. É mais encantadora e a mais dolorida, das fases. É a grande ilusão humana.
4º – Gostar “Amor”: O amor é mais afeto que tudo. Quando você finalmente amar, ou seja, desejar o bem incondicional ao seu parceiro/parceira, você terá transformado ele/ela em um amigo/a.
E como, pode haver muitos amigos, e amigos de verdade não se prendem a sentimentos de posse, onde há amor [amizade], a monogamia é detalhe irrelevante.
Sempre via reportagens na TV sobre como o mercado tem notado o crescente número de pessoas que moram sozinhas. E como o mesmo mercado vem criando produtos direcionados este público especifico, dando uma atenção especial. Mas isso sempre me pareceu banal. Morar sozinho parecia ser comum, uma tarefa simples: “Pague suas contas e reduza o número de sacos de arroz que compra por mês.” Mas não é assim! A vida de quem mora sozinho requer certa adaptação. Eu não me contrastei com o fato de lavar a própria roupa, ou cuidar da casa. Porque nos últimos anos estas tarefas tinham sido de minha incumbência, mas um detalhe chato é ficar sozinho em algumas ocasiões. Acabo sempre ficando com um pouco de medo. E durante as baixas hormonais então, fica quase insuportável. Mas em contrapartida existe um hall enorme de vantagens. E todas elas sedimentadas em Liberdade – “essa palavra que o sonho humano alimenta”. A liberdade que se tem quando se mora sozinho paga todos os momentos de tristeza, depressão ou solidão que se possa ter na tpm [e ainda sobra troco]. Fazer ou não almoço, convidar ou não aquele amigo. Arrumar a casa de madrugada. Trocar os móveis de lugar. Andar pelado. Respirar fundo e pensar: “Esse é meu espaço!”... Todas essas coisas simples que poderiam muito bem ser citadas naquela famosa propaganda do mastercard. Não tenho muitos amigos que moram sozinhos, e talvez por isso, sempre escuto: “se morasse sozinho faria festas todo dia.” Mal sabem eles que você fica mais chato, mais pai, mais ligados a detalhes de responsabilidade quando se mora sozinho. E o motivo é simples: se você mesmo não fizer, ninguém fará. Então para viver em condições humanas e higiênicas tem que se por mãos a obra, e melhorar. Eu mesma, que sempre fui muito bagunceira, estou me submetendo a uma organização inédita. Como ter um cartaz com os horários dos ônibus, feijão separado em “doses” milimétricas por refeição. Carne cortada, pronta pra ser cozida. Ou seja, estou me tornando mais responsável com coisas que achava difícil. O blog do Vinícius tem me ajudado, me dando dicas de sobrevivência. E em horas complicadas, toda ajuda é valorosa. Mas o resumo da ópera é esse: Esta sendo uma ótima experiência. Tenho me tornado uma pessoa menos fia-de-vó. O que ajuda em outros setores da vida, como independência emocional de seres humanos, pelo menos o tempo todo. Isso é fantástico e novo para mim. Enfim, eu descobri que morar sozinho não se trata do espaço físico, mas de um estado de espírito. Morar sozinho é desvencilhar-se do ninho original e criar o seu.
Minha vida está desregulada [e desregrada] novamente. Que assustador! Sem hora pra dormir, ou pra acordar. Sem rotina, sem tarefas. A quanto tempo não sei o que é isso. Mas tudo bem, isso é uma prerrogativa dos que estão em transição radical de vida. Se dar ao luxo de ficar parado até que tudo se defina. Dar a si mesmo um tempo, meio termo, um espaço em aberto pra se pensar e ver televisão além dos limites. Mas quanta pretensão a minha achar que esse blog tem que ser ao meu respeito, não é?! Tudo bem que minha vida está se transformando, e que eu estou à beira da separação judicial antes dos 23 anos de idade, mas isso não torna minha vida interessante. Principalmente nos últimos dias, que tenho me dedicado ao ócio e aos programas mais infames da TV. Sem contar a internet, que me rouba quase o dia todo. Estou estudando menos do que devia, estou trabalhando menos do que precisava. Enfim, estou à toa. Isso é bom por um lado, me atualiza em futilidades e me dá tempo de escrever em um blog. Mas me distancia do mundo real dos adultos, o que é péssimo. Fora a minha atribulada vida [ou seria maçante?] tem muitas coisas acontecendo no mundo para eu postar neste humilde blog, como... deixa eu ver... Podemos falar da reforma ortográfica da língua portuguesa, mas isso me deixa um pouco irritada. Um grande sacrifício em troca de muito pouco: Unificação da língua em todo o mundo. Sei que em longo prazo será bem proveitoso... E que foi uma decisão acertada. O problema é ser a geração sacrificada, a geração que vai ter que reaprender a língua mãe. Isso me deixa puta da vida! Sim, são pequenas as alterações, mas de coisas que já estão completamente inseridas no nosso inconsciente. Reeducar nosso cérebro vai ser o mais difícil. Porque algumas coisas/palavras já são automáticas. Uma vez alteradas sempre que formos escrevê-las ficaremos com um pé atrás, com uma sensação de que está errado. Ou pelo menos eu acho que ficaremos. Mudando novamente de assunto, quem se lembra do ano de 1998? Vi finalmente o filme “melhor impossível” na TV [com aqueles cortes horrorosos de intervalo, isso mata um filme!]. Apesar da fama, eu nunca o tinha visto. Lembro-me até da crítica sobre ele na véspera do Oscar, mas não me dei o trabalho de assisti-lo. Também não faria muita diferença, em 1998, eu tinha 11 anos [Até dezembro, quando fiz 12... Óbvio!] e fazia a 6º série, estava empapuçada de amores pelo DiCaprio, que era febre naqueles tempos. Tempos do império de Titanic e Spice Girls. Não teria entendido toda a doçura do Melvin, não teria achado graça nenhuma. Tudo bem que o filme fez mais barulho do que realmente foi. Mas ainda assim essa noite ele me comoveu. Fiquei com aquela sensação de que apesar da estória ser boa, triste/ engraçada e ter bons atores, o que realmente se destaca no filme é o personagem do Melvin [Jack Nicholson]. Ele é um dos melhores personagens que eu já vi. Daqueles que faz você esquecer o título do filme, e se lembrar do nome dele muito tempo depois. Como a Lux Lisbon ou a Marla Singer. Personagens que são maiores que o próprio filme. Além de serem ótimos nomes pra se batizar animais de estimação como cachorros e tartarugas. Não pra peixes, porque peixes são muito inexpressivos. Em suma, todo esse texto pra dizer que estou cada vez mais à toa, estudando pouco, vendo filmes antigos [Eu pasmo com isso! Já se passaram 11 anos...] e ficando nostálgica. Nada mais que isso. Pra finalizar... Mi casa, su casa e bem vindo (a) ao blog. :)